Costumo comprar um álbum quando o considero de impecável qualidade, ou por uma miscelânea de razões. Este ano adentrei também na subcultura do áudio analógico - entenda-se por isto vinil e cassete. São formatos peculiares, mais interessantes do que um simples CD. Mas vamos ao que realmente interessa: destacar as melhores obras musicais deste ano, tendo por base tudo aquilo que tive a oportunidade de escutar.
EMOTION de Carly Rae Jepsen
Antes de revirarem os vossos olhos com grande repúdio, admito que nunca teria esperado que Carly Rae, a voz da maldita "Call Me Maybe", tivesse lançado um álbum deste calibre. Talvez seja um efeito secundário do rockismo, que claramente ainda existe. EMOTION leva o ridicularizado conceito de 'álbum pop' a um pedestal vertiginosamente alto, aperfeiçoando os protótipos deste género e revisitando as produções sintetizadas dos anos 80. As relações amorosas, o desespero e a felicidade, a vida noturna são frontalmente retratadas em momentos como "Gimmie Love" ou na sublime "Run Away with Me". Voou longe dos radares da rádio mainstream e das tabelas mundiais, mas não precisa delas.
Currents de Tame Impala
O melhor momento do álbum já fora ouvido em Março, quando foi disponibilizada a introdução gloriosa de sete minutos intitulada "Let It Happen". As restantes composições são uma expansão desta sonoridade, de um pop psicadélico e sintetizado, catártico e reflexivo. Para ouvir integralmente, sem pressas.
Multi-Love de Unknown Mortal Orchestra
Outra banda que apenas em Novembro descobri, os Unknown Mortal Orchestra são simplesmente fenomenais. O projeto Multi-Love é uma experiência transcendente
To Pimp A Butterfly, de Kendrick Lamar
Após o recente, mas já um clássico do hip-hop americano, good kid, m.A.A.d city de 2012, Kendrick Lamar regressou e deixou o mundo sem palavras. Radicalmente frontal, expressivo e controverso, o artista mergulha num mundo de jazz e funk, fazendo do estrelato uma paródia e reforçando a sua fé como arma oposta aos deshonestos e à falsidade. Parabéns, Kendrick.